Há quem atravesse fronteiras em busca de um sonho. Outros atravessam apenas para sobreviver.
Deixam para trás a família, os amigos, a língua materna e os lugares onde cresceram. Levam consigo uma mala, algumas fotografias e uma esperança enorme de que o amanhã será melhor do que o ontem.
Mas nem sempre o destino reserva o acolhimento esperado.
A xenofobia transforma o estrangeiro num alvo. Faz com que alguém seja julgado pelo sotaque, pela cor da pele, pela nacionalidade ou simplesmente pelo facto de ter nascido do outro lado de uma fronteira. O que antes era um sonho passa a ser um ambiente de medo, insegurança e incerteza.
E então acontece algo triste: muitos decidem regressar ao país de origem.
Não porque tenham desistido dos seus sonhos, mas porque já não conseguem viver diariamente sob insultos, discriminação ou violência. Voltam com o coração pesado, carregando histórias que dificilmente contarão por completo. Alguns regressam sem as economias que esperavam construir. Outros voltam apenas agradecidos por estarem vivos.
O mais doloroso é perceber que, em muitos casos, essas pessoas contribuíram para o desenvolvimento do país que agora deixam. Trabalharam em hospitais, restaurantes, minas, fábricas, escolas, empresas e campos agrícolas. Pagaram impostos, criaram negócios e ajudaram a movimentar a economia local.
Quando um estrangeiro parte por medo, perde ele, mas perde também a sociedade que o rejeitou.
A história da humanidade é feita de migrações. Em algum momento, quase todos os povos foram recebidos por alguém ou procuraram refúgio em terras distantes. Hoje somos anfitriões; amanhã poderemos ser visitantes.
Nenhuma nação cresce alimentando o ódio. Cresce quando valoriza quem trabalha honestamente, respeita as diferenças e compreende que a dignidade humana não tem nacionalidade.
Que cada regresso provocado pela xenofobia nos faça refletir. Não sobre quem veio de fora, mas sobre quem estamos a escolher ser como sociedade.
Porque as fronteiras podem separar países, mas nunca deveriam separar a humanidade.

