Quando fecho os olhos, recordo nitidamente o que aconteceu naquele dia. Era ainda criança e pouco entendia, mas lembro-me de que, ao soar das 16h, uma sequência de estrondos ecoava à distância. Com o passar dos minutos, o som tornava-se cada vez mais aterrador, até que tudo pareceu um verdadeiro filme de guerra e pânico.
O céu tingiu-se de um fumo denso, e o horizonte foi riscado por projécteis de artilharia que caíam sem seleccionar alvos. Instalou-se, então, o caos. Gatos, cães, ratos e humanos, numa desordem absoluta, esbarravam-se enquanto buscavam a salvação. Nas ruas, viam-se carros e bicicletas abandonados, casas destruídas, e a lamentável dor de quem perdia os seus membros ou, no auge do desespero, chegava a confundir bebé com gatos no momento da fuga.
Perante aquela situação, tomado por um terror incompreensível para a minha idade, lágrimas corriam sem cessar. Implorava aos meus pais para sairmos à rua, seguindo milhares de trabalhadores que abandonavam as empresas rumo à incerteza.
Apesar do caos em Infulene e arredores, houve quem permanecesse sensível ao humanismo. Embora a SEGURANÇA parecesse ignorar o povo, o AMOR manifestava-se no apoio às vítimas. Os vizinhos acolhiam os “refugiados”, garantindo o essencial, e, assim que o pior passou, transformaram veículos em ambulâncias improvisadas.
Hoje, a minha (A NOSSA) solidariedade renova-se para com todos que ainda carregam marcas daquele dia. Honro os que partiram e apoio os que vivem com esse trauma. Que isso nos lembre da fragilidade da vida e da força da nossa união.
E tu, onde te encontravas quando ocorreu o primeiro estrondo? O que ainda guardas na memória desse dia? 🇲🇿
Feito por: Idalêncio Rafael Bacchus Dogmaticus
