Centenas de cidadãos moçambicanos afetados pela recente onda de violência xenófoba na África do Sul começaram a regressar ao país através do posto fronteiriço de Ressano Garcia. Muitos chegam em situação de extrema vulnerabilidade, trazendo apenas os pertences que conseguiram carregar durante a fuga.
Os relatos recolhidos junto das vítimas descrevem momentos de pânico e insegurança. Famílias inteiras afirmam ter abandonado as suas residências às pressas para escapar aos ataques, deixando para trás bens materiais, documentos pessoais e economias acumuladas ao longo de vários anos de trabalho em território sul-africano.
Entre os repatriados encontram-se homens, mulheres, idosos e crianças. Alguns chegaram debilitados física e emocionalmente, enquanto outros relatam ter perdido praticamente tudo durante os episódios de violência registados em diversas comunidades.
As autoridades moçambicanas, em coordenação com instituições de assistência social e organizações humanitárias, iniciaram ações de acolhimento e apoio aos cidadãos regressados. No entanto, o crescente número de pessoas que atravessam a fronteira continua a gerar preocupação quanto à capacidade de resposta às necessidades imediatas dos afetados.
As cenas observadas em Ressano Garcia evidenciam o impacto humano da xenofobia, com famílias separadas, patrimónios perdidos e milhares de vidas marcadas pela incerteza. Para muitos dos que regressam, o desafio agora passa por reconstruir a vida em Moçambique após perderem anos de trabalho e investimento no país vizinho.
Fontes: Informações reportadas por autoridades fronteiriças moçambicanas, testemunhos de cidadãos repatriados e comunicados de organismos governamentais envolvidos no processo de acolhimento.
