Vivemos numa era em que tudo corre.
Corre o dinheiro.
Corre a informação.
Corre o trânsito nas avenidas de Maputo.
Corre o dedo na tela do telemóvel.
Mas quase ninguém pára.
Hoje, acordei com uma pergunta simples:
Quando foi a última vez que ficámos em silêncio sem medo?
O mundo moderno ensinou-nos que silêncio é fracasso.
Que pausa é atraso.
Que descanso é preguiça.
Nas redes sociais, todos parecem felizes. Nos debates políticos, todos parecem certos. Nos relacionamentos, todos parecem substituíveis.
Criámos uma sociedade onde estar ocupado virou sinónimo de importância.
E, no entanto, nunca estivemos tão cansados.
Cansados de provar valor.
Cansados de competir.
Cansados de parecer fortes.
Talvez o problema não seja a velocidade do mundo —
Talvez seja o facto de termos esquecido para onde estamos a correr.
Hoje, enquanto a cidade buzina, negocia, discute e sobrevive…
há algo revolucionário em fazer uma pausa.
Respirar fundo.
Desligar por alguns minutos.
Olhar para o céu sem fotografar.
Porque quem não aprende a parar, acaba por viver sem realmente sentir.
E no fim, a vida não se mede pela pressa, mede-se pelos momentos em que estivemos verdadeiramente presentes.
