Maputo acorda cedo. Antes mesmo do sol tomar conta da cidade, já há vida nas ruas. Chapas a disputar cada metro, buzinas que parecem conversar entre si, vendedores a organizar o dia com a esperança de que hoje seja melhor que ontem. Tudo em movimento. Tudo com pressa.
Mas pressa para onde?
Vivemos numa era em que estar ocupado virou sinónimo de estar a vencer. Quem para, perde. Quem desacelera, fica para trás. Pelo menos é isso que nos fazem acreditar. Só que, no meio dessa corrida, há uma pergunta que poucos fazem: estamos realmente a chegar a algum lugar… ou apenas a fugir de nós mesmos?
Há pessoas que passam anos a construir uma vida que nunca param para viver. Trabalham sem descanso, acumulam responsabilidades, resolvem problemas de todos menos os seus. E quando finalmente têm um momento de silêncio, sentem um vazio estranho. Como se tivessem perdido algo pelo caminho… e talvez tenham mesmo perdido.
O tempo, esse recurso que ninguém consegue comprar de volta.
Hoje, talvez não seja sobre correr mais rápido. Talvez seja sobre olhar à volta. Reparar nas pequenas coisas: o sorriso de alguém, a brisa que atravessa a cidade ao fim da tarde, o simples facto de estar vivo. Parece pouco, mas é tudo.
Não se trata de abandonar sonhos ou ambições. Trata-se de não sacrificar a vida enquanto se tenta construí-la.
Porque no fim, a verdadeira pergunta não será “quanto conquistaste?”, mas sim: “viveste de verdade ou apenas sobreviveste com pressa?”
Boa reflexão.
