Pelo menos 78 pacientes continuam internados no Hospital Psiquiátrico do Infulene (HPI), na cidade de Maputo, mesmo após apresentarem evolução clínica favorável e condições para regressar ao convívio familiar. A permanência prolongada deve-se, em grande parte, ao abandono por familiares ou à impossibilidade de identificar os seus locais de origem.
Segundo informações avançadas pela direcção do HPI, alguns destes pacientes permanecem na instituição há períodos que variam entre dois e 45 anos. Em determinados casos, o longo tempo de internamento contribuiu para o agravamento da perda de capacidades cognitivas, dificultando a identificação pessoal, a recordação da proveniência e o reconhecimento dos próprios familiares.
Entre os casos registados encontram-se pessoas deixadas nas imediações da unidade hospitalar, pacientes transferidos de outras províncias e cidadãos que, após o tratamento, foram rejeitados pelas suas famílias devido ao estigma ainda associado às doenças mentais. Esta realidade dificulta o processo de reintegração social e favorece a permanência institucional.
A directora do Hospital Psiquiátrico do Infulene, Serena Chachuáio, alertou que o número de situações de abandono continua a crescer. De acordo com a responsável, alguns familiares chegam a fornecer contactos telefónicos e endereços incorretos, comprometendo os esforços desenvolvidos para a localização e reunificação familiar.
Ainda segundo a directora, é essencial reforçar as campanhas de sensibilização junto das comunidades para esclarecer que as doenças mentais podem ser diagnosticadas, tratadas e acompanhadas, tal como outras doenças, e que não representam um risco de transmissão. A persistência de crenças associadas a causas sobrenaturais continua a contribuir para a discriminação e o abandono de pessoas com transtornos mentais.
Na tentativa de restabelecer os laços familiares, o Hospital Psiquiátrico do Infulene trabalha em coordenação com os serviços de Acção Social, líderes comunitários e outras estruturas locais. A unidade também recorre às plataformas digitais para localizar familiares e, quando a reunificação não é possível, encaminha alguns pacientes para instituições de acolhimento destinadas a pessoas idosas, embora a capacidade destas estruturas seja limitada.
Fonte: Direcção do Hospital Psiquiátrico do Infulene (HPI), em declarações publicadas pelo Jornal Domingo.

