A EMPRESA NÃO É TEU BANCO PESSOAL

Há uma espécie de ladrão que não salta muros, não arromba portas e não aponta uma arma.

Ele chega cedo.

Cumprimenta o chefe.

Bate o ponto.

Veste o uniforme.

Pega nas chaves.

Recebe o dinheiro.

E, no fim do dia, leva para casa aquilo que não lhe pertence.

É o ladrão de dentro.

Esse é talvez um dos tipos mais perigosos, porque não precisa de máscara. A empresa já lhe deu confiança, acesso, documentos, mercadoria, viatura, caixa ou carteira de clientes.

E alguns confundem confiança com autorização para roubar.

Começam com 500 meticais.

Depois são 1.000.

Depois 5.000.

Quando percebem, já estão a administrar uma segunda vida com dinheiro da empresa.

E vem sempre a mesma conversa:

“Eles nem vão notar.” Vão.

Talvez não hoje.

Talvez não amanhã.

Mas números têm memória.

Stock tem memória.

Contabilidade tem memória.

Câmaras têm memória.

E colegas também têm memória.

O trabalhador que rouba pensa que está a prejudicar o patrão.

Nem sempre percebe que também está a destruir o próprio nome.

Porque amanhã pode precisar de uma carta de recomendação.

Pode procurar outro emprego.

Pode aparecer numa entrevista.

E alguém poderá perguntar:

“Conhece este homem?”

E talvez a resposta seja:

“Conheço. Mas não voltaria a confiar nele.”

É aí que os 10 mil, 20 mil ou 50 mil meticais roubados começam a revelar o verdadeiro preço.

Não é apenas dinheiro.

É reputação.

É confiança.

É emprego.

E, dependendo do caso e das provas, podem existir também consequências perante a lei.

Moçambique já enfrenta desemprego, dificuldades económicas e milhares de jovens à procura de uma oportunidade.

Então é preciso dizer isto sem maquilhagem:

Se a empresa lhe abriu a porta para trabalhar, não transforme essa porta numa entrada para o roubo.

Se o salário não chega, converse.

Se há injustiça, reclame.

Se existe exploração, denuncie.

Se precisa de ajuda, procure ajuda.

Mas não transforme a dificuldade numa licença para meter a mão no caixa.

Porque existe uma diferença enorme entre estar pobre e escolher ser desonesto.

E também existe uma diferença entre reclamar de uma empresa e roubá-la.

A empresa pode ser rica.

O patrão pode ter três carros.

O dono pode viajar.

Pode até parecer que nunca vai sentir falta daquele dinheiro.

Nada disso transforma o dinheiro alheio em dinheiro teu.

E para aqueles que dizem:

“Todo mundo rouba.” Não.

Todo mundo não rouba.

Há gente que passa dificuldades, recebe pouco, volta para casa cansada e ainda assim consegue dormir tranquila porque sabe que não levou para casa aquilo que não lhe pertence.

Essa gente pode não ter muito dinheiro.

Mas tem uma coisa que não se compra no mercado: carácter.

Por isso, trabalhador, antes de meter a mão onde não deve, pense duas vezes.

O dinheiro pode caber no bolso.

Mas a vergonha, quando chega, pode ficar muito mais tempo.

A empresa não é teu banco.

O caixa não é teu bolso.

A mercadoria não é tua.

O combustível não é teu.

E a confiança que te deram não é uma autorização para roubar.

Trabalhe. Lute. Reclame. Procure melhores oportunidades. Mas não roube.

Porque, no fim, podemos perder dinheiro e voltar a ganhar.

Mas quando perdemos o carácter, recuperar o respeito pode levar uma vida inteira.

Author: E_Lito

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