O país também vive nas pequenas batalhas

Há pessoas que acordaram hoje antes do nascer do sol.

Uns para procurar transporte.
Outros para abrir uma barraca, uma oficina, um mercado ou um pequeno negócio.
Há quem tenha saído de casa sem saber como será o resto do dia, mas mesmo assim saiu.

O povo continua.

Em Maputo, na Matola, na Beira, em Nampula, em Tete, nos distritos, nos bairros e nas zonas rurais, existe uma luta silenciosa que raramente aparece nas manchetes: a luta de continuar de pé.

Há jovens tentando reconstruir a própria vida.
Pais tentando sustentar famílias.
Mães carregando responsabilidades enormes sem reconhecimento.
Motoristas enfrentando estradas difíceis.
Vendedores tentando salvar o dia com poucas vendas.

E mesmo cansado, o povo continua.

Às vezes parece que o país anda devagar.
Projectos atrasam.
Promessas desaparecem.
Dificuldades aumentam.

Mas existe algo que ainda não desapareceu completamente: a capacidade do povo de resistir.

Nem toda victória vem em forma de riqueza.
Às vezes a victória é:

  • abandonar um vício;
  • pagar uma dívida;
  • voltar a trabalhar;
  • recuperar a paz;
  • estudar novamente;
  • ou simplesmente conseguir dormir com a consciência tranquila.

Muita gente está recomeçando em silêncio.

E talvez o maior erro seja pensar que recomeçar é fraqueza.
Não é.

Um país cresce quando as pessoas também conseguem reconstruir a própria vida.

Author: admin

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