Aos da Zona Sul

Há uma maneira especial de viver no Sul. Não é apenas uma questão de geografia. É uma forma de falar, de esperar, de trabalhar, de reclamar e, sobretudo, de continuar.

De Maputo a Gaza, passando por Matola, Marracuene, Boane, Manhiça, Xai-Xai e tantos outros lugares, existe um povo que aprendeu a enfrentar a vida com uma mistura de paciência e teimosia.

Aqui, muitas vezes, o dia começa cedo.

Antes de o sol ficar forte, já há quem esteja na paragem à espera do transporte, quem esteja no mercado a organizar a banca, quem esteja a caminho da escola e quem já esteja a pensar em como fazer o pouco dinheiro chegar até ao fim do mês.

E há sempre aquela frase:

“Vamos conseguir.”

Mesmo quando as coisas parecem complicadas.

A Zona Sul também é terra de contrastes. Há bairros modernos e bairros onde ainda faltam serviços básicos. Há grandes avenidas e caminhos de areia. Há quem tenha muito e quem precise de contar cada moeda.

Mas existe algo que atravessa todas essas diferenças: a capacidade de adaptação.

O jovem que não encontrou emprego cria um pequeno negócio.

A mãe que não conseguiu pagar tudo hoje promete resolver amanhã.

O motorista enfrenta o trânsito.

O estudante insiste nos livros.

O agricultor continua a olhar para o céu à espera de chuva.

E o cidadão comum segue em frente, mesmo quando ninguém está a aplaudir.

Talvez essa seja uma das maiores riquezas do nosso povo: continuar a caminhar quando o caminho parece não ter fim.

Aos da Zona Sul, fica hoje uma mensagem simples:

Não desprezem as pequenas conquistas.

Nem todo progresso aparece nos jornais. Às vezes, progresso é conseguir alimentar a família. É mandar um filho para a escola. É terminar uma construção. É pagar uma dívida. É abandonar um mau hábito. É começar novamente depois de uma queda.

A vida não exige que sejamos perfeitos.

Exige apenas que não desistamos de tentar.

Bom dia, Zona Sul!

Que Maputo acorde com esperança, que Gaza encontre força, que os bairros tenham paz e que cada família tenha motivos para acreditar num amanhã melhor.

Porque, no fim das contas, o Sul não é apenas um lugar no mapa.

É gente. É memória. É luta. É esperança. É nossa casa.

Author: E_Lito

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