SETEMBRO: MOÇAMBIQUE AINDA TEM FORÇAS PARA RECOMEÇAR

Setembro chegou.

E com ele chegam também novas contas, novos desafios, novos sonhos e aquela esperança teimosa que muitos moçambicanos carregam no peito, mesmo quando a realidade insiste em dizer o contrário.

Setembro não pergunta se estamos preparados.

Simplesmente chega.

Chega às casas de cimento e às casas de caniço. Chega aos bairros de Maputo, às ruas de Matola, às machambas de Gaza, às comunidades de Inhambane, às cidades de Sofala, Manica e Tete, às terras de Nampula e Zambézia, às paisagens de Niassa e às comunidades de Cabo Delgado.

Chega para todos.

E talvez seja por isso que setembro nos ensina uma coisa importante: somos diferentes nas nossas histórias, mas enfrentamos muitas das mesmas batalhas.

Há o jovem que acorda cedo e percorre quilómetros à procura de emprego.

Há a mãe que divide o pouco que tem pelos filhos.

Há o pai que trabalha de manhã à noite para pagar renda, escola, alimentação e transporte.

Há o vendedor informal que passa o dia na rua sem saber quanto vai conseguir levar para casa.

Há o estudante que sonha com um diploma, mas enfrenta dificuldades para continuar os estudos.

Há aquele cidadão que tem um pequeno negócio e luta diariamente para não fechar as portas.

E há também aquele que, depois de perder quase tudo, continua dizendo:

“Amanhã será melhor.”

É essa esperança que mantém Moçambique de pé.

Mas precisamos falar também de nós.

Dos nossos hábitos.

Das nossas escolhas.

Não podemos esperar que tudo mude enquanto continuamos repetindo os mesmos erros.

Setembro pode ser o mês de começar a poupar, mesmo que seja pouco.

Pode ser o mês de abandonar uma dívida desnecessária.

Pode ser o mês de procurar uma nova oportunidade.

Pode ser o mês de aprender uma profissão.

Pode ser o mês de começar aquele pequeno negócio que há anos vive apenas na nossa cabeça.

Pode ser o mês de deixar para trás amizades que nos empurram para problemas.

Pode ser o mês de parar de gastar aquilo que não temos para impressionar pessoas que nem sequer pagarão as nossas contas.

Moçambique precisa de jovens que construam, não apenas que reclamem.

Precisa de jovens que estudem, trabalhem, criem empresas, aprendam tecnologias, cultivem a terra, inventem soluções e transformem pequenas ideias em grandes oportunidades.

Mas também precisa de uma sociedade que não abandone os seus jovens.

Porque não basta dizer ao jovem “trabalha”.

É preciso criar condições para que ele possa trabalhar.

Não basta dizer “empreende”.

É preciso facilitar o acesso ao conhecimento, ao financiamento e aos mercados.

Não basta dizer “estuda”.

É preciso garantir que estudar seja uma possibilidade real para quem nasceu longe dos grandes centros urbanos.

Setembro, portanto, não deve ser apenas mais uma folha virada no calendário.

Deve ser um momento para perguntar:

O que estamos a fazer com o nosso tempo?

Quantas horas perdemos em discussões inúteis?

Quanto dinheiro desperdiçamos tentando parecer aquilo que não somos?

Quantas oportunidades deixamos passar por medo?

Quantas vezes dissemos “não consigo” antes mesmo de tentar?

A vida em Moçambique não é fácil.

Todos sabemos disso.

Mas dificuldade não pode transformar-se em sentença.

Quem nasceu em condições difíceis não está condenado a morrer sem sonhos.

Quem começou pequeno não precisa terminar pequeno.

Quem caiu não precisa permanecer no chão.

Ainda podemos levantar.

Ainda podemos começar novamente.

Ainda podemos mudar de profissão, aprender algo novo, abrir uma banca, cultivar uma machamba, criar conteúdo, estudar, viajar, construir uma casa, comprar um carro, ajudar a família ou simplesmente conquistar a tranquilidade de viver honestamente.

E, sobretudo, precisamos aprender a respeitar a batalha do outro.

Não sabemos o que aquele vendedor enfrentou antes de chegar à rua.

Não sabemos quantas noites aquela mãe passou acordada.

Não sabemos quantas portas aquele jovem bateu antes de conseguir o primeiro emprego.

Não sabemos quantas vezes alguém pensou em desistir.

Por isso, sejamos menos rápidos a julgar e mais rápidos a ajudar.

Moçambique precisa de mais solidariedade.

De norte a sul.

De Pemba a Maputo.

De Lichinga à Beira.

De Nampula a Xai-Xai.

De Quelimane a Chimoio.

Somos um país com dificuldades, sim.

Mas também somos um país de gente trabalhadora, criativa, resiliente e cheia de sonhos.

Setembro está apenas começando.

Ainda existem meses pela frente.

Ainda existem oportunidades que não conhecemos.

Ainda existem portas que não batemos.

Ainda existem caminhos que não percorremos.

Por isso, moçambicano, não enterres o teu sonho só porque agosto foi difícil.

Não declares o ano perdido porque os primeiros meses não correram como esperavas.

Levanta-te.

Organiza a tua vida.

Cuida do teu dinheiro.

Cuida da tua família.

Cuida da tua saúde.

Aprende.

Trabalha.

Poupa.

Tenta novamente.

E quando alguém perguntar o que Setembro trouxe para ti, que a resposta não seja apenas: “Mais um mês.”

Que possas responder: “Foi o mês em que decidi mudar.”

Bem-vindo, Setembro.

Que este seja o mês em que Moçambique continue a acreditar em si próprio.

Porque enquanto houver um moçambicano disposto a levantar-se depois de cair, a esperança continuará viva.

Author: E_Lito

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